Os caminhos para profissionalização: empresas familiares da região Oeste estão em fase de transição

Período exige ajuda de especialista para evitar problemas de gestão e sucessão das empresas

“Família, família, papai, mamãe, titia. Família, família. Vive junto todo dia, nunca perde essa mania…”. A música da banda Titãs traduz muito bem o que família representa: um amor incondicional mesmo em meio a uma rotina maluca e com alguns conflitos. Mas e quando essa convivência, além da casa, também acontece no ambiente de trabalho? Já parou para pensar em como é ter membros da família como chefes ou colegas? É esse o contexto da maioria das empresas da região Oeste do Paraná. “Grande parte é constituída de uma matriz familiar, onde pais e filhos, amigos, irmãos e familiares fazem parte da estrutura de gestão da empresa. E mesmo aquelas que não possuem essa constituição, também possuem em sua característica de gestão traços semelhantes”.

Essa formação pode, em alguns momentos, resultar em dificuldades na administração da empresa, ainda mais no atual momento de alta competitividade e inovação. O crescimento do negócio pode ser interrompido por problemas como falta de objetividade e de gestão produtiva, alto grau de informalidade nas relações de poder, dificuldade de implantar a meritocracia e definir a sucessão e formação de novas gerações de líderes, entre outros conflitos.

É por isso que as empresas do Oeste paranaense estão migrando de formato e buscando a profissionalização. Esse processo é gradativo e cheio de desafios e o principal deles é conseguir “profissionalizar a família e familiarizar os profissionais”. Por exemplo, preparar os filhos para assumir o comando! A sucessão é algo que ainda põe medo, apesar de ser discutida entre os membros.

Analisando números da sucessão rural, que é o principal perfil da região Oeste, é possível entender melhor o contexto. Em uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSonda em janeiro de 2017, 120 bovinocultores de leite foram entrevistados. O estudo revelou que 81% deles se preocupam com a sucessão rural e 60,4% disseram que os filhos têm sim intenção de permanecer no meio rural e tirar sustento dele. Mas essa preocupação não significa, necessariamente, preparação. “Vejo que as gerações mais jovens estão tentando se capacitar, mas para uma sucessão bem feita é necessário que haja dois elementos: primeiro a capacitação dos mais jovens, mas também a capacitação da geração mais antiga. E é necessário também estabelecer a verdadeira integração. Não adianta apenas colocar os jovens pra saber das coisas, é preciso incluí-los nas decisões e no direcionamento da empresa”.

E se já não é uma tarefa fácil lidar com os próprios familiares, imagina incorporar pessoas de fora na empresa originalmente familiar. Há sim, esse desejo, mas nem todas as empresas estão prontas para essa decisão. “É difícil porque por que passa por barreiras de confiança de abrir números e modelos de gestão. A família precisa se preparar para incluir nos debates formais e informais a presença de um membro que não participa da mesma intimidade. Para isso, é preciso criar algumas estruturas de gestão que façam com que a mentalidade da empresa se torne eficaz, eficiente e efetiva”.

É nessa hora que entra a experiência e a bagagem de um consultor, capaz de analisar a estrutura do negócio e direcionar as ações. “O sucesso de qualquer implementação dentro de uma empresa precisa vir da mentalidade dela, é no topo que se iniciam as mudanças. O papel do consultor consiste em trabalhar com a arquitetura de poder e a relação de conflito que resulta na tomada de decisão dentro de uma empresa, criar canais para abertura da comunicação interna, formar líderes e auxiliar no modelo de gestão adequado para uma sucessão que seja benéfica para a empresa, para os sócios e para os líderes”.

Lincoln Carrenho

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *